Lisboa

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Lisboa é simultaneamente a capital e a maior cidade de Portugal. A cidade, além de ser a capital do país, é também capital do distrito de Lisboa, da região de Lisboa, da Área Metropolitana de Lisboa, e é ainda o principal centro da sub-região estatística da Grande Lisboa. Eclesiasticamente, é sede de diocese e do Patriarcado de Lisboa. Todos os dias, cerca de 2,1 milhões de pessoas se deslocam para a capital, constituindo uma população flutuante que lhe imprime uma dinâmica cosmopolita.

A região de Lisboa é a mais rica de Portugal, com um PIB per capita superior à média da União Europeia. Duas agências europeias têm sede em Lisboa: o Observatório Europeu de Drogas e Toxicodependentes e a Agência Europeia de Segurança Marítima. A CPLP também está sediada em Lisboa.

A região situa-se à volta da cidade de Lisboa, do estuário do Tejo e no norte da Península de Setúbal. Tem aproximadamente de 509 751 habitantes (2006) e uma área metropolitana envolvente que ocupa cerca de 2.750 Km2, com cerca de 3 milhões de habitantes. Esta e a cidade constituem 27% da população do país. O concelho de Lisboa tem 83,84 km² de área. A densidade demográfica é de 518,1 hab./km². O concelho subdivide-se em 53 freguesias e faz fronteira a norte com os municípios de Odivelas e Loures, a oeste com Oeiras, a noroeste com Amadora e a sudeste com o estuário do Tejo. Por este estuário, Lisboa une-se aos concelhos da Margem Sul: Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.

História

Diz a lenda popular e romântica que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói grego Ulisses, e que tal como Roma o seu povoado original foi rodeado por sete colinas.

Com a chegada dos celtas estes misturaram-se com os Iberos locais, dando origem às tribos de língua celta da região.

Os gregos antigos tiveram provavelmente na foz do rio Tejo um posto de comércio durante algum tempo, mas os seus conflitos com os cartagineses por todo o mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono, devido ao maior poderio de Cartago na região nessa época.

Após a conquista a Cartago do oriente peninsular, os romanos iniciam as guerras de pacificação do ocidente. em cerca de 205 a.C. Olissipo alia-se aos romanos, lutando os seus habitantes ao lado das legiões, com a vitória dos romanos é absorvida no império e recompensada pela atribuição da cidadania romana aos seus habitantes, um privilégio raríssimo naquela época para os povos não italianos. Felicitas Julia, como a cidade viria a ser reconhecida, beneficia do estatuto de municipium, juntamente com os territórios em redor, até uma distância de 50 quilómetros, não pagando impostos a Roma, ao contrário de quase todos os outros castros e povoados autóctones conquistados. Foi incluída com larga autonomia na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida (na Extremadura Espanhola).

No tempo dos romanos a cidade era famosa pelo garum, um molho de luxo feito à base de peixe, exportado em ânforas para Roma e todo o império, assim como vinho, sal e cavalos da região. Ptolomeu chamou a cidade de Oliosipon.

No fim do domínio romano Olissipo seria um dos primeiros núcleos a acolher o cristianismo. O primeiro bispo da cidade foi São Gens. Sofreu invasões bárbaras dos alanos, vândalos e depois fez parte do reino dos suevos, antes de ser tomada pelos visigodos de Toledo, que a chamaram de Ulishbona.

Lisboa foi então tomada no ano 719 pelos mouros provenientes do norte de África. Em árabe chamavam-lhe al-Lixbûnâ. Construiu-se neste período a cerca moura. Só mais de 400 anos depois os cristãos a reconquistariam graças ao primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, e ao seu exército de cruzados, em 1147. O primeiro rei português concedeu-lhe foral em 1179. A cidade tornou-se capital do reino em 1255 devido à sua localização estratégica. A seguir à reconquista foi instituída a diocese de Lisboa que, no século XIV, seria elevada a metrópole (arquidiocese).

Nos últimos séculos da idade média a cidade expandiu-se e tornou-se um importante porto com comércio estabelecido com o norte da Europa e com as cidades costeiras do Mar Mediterrâneo. Em 1290 o rei Dom Dinis mandou estabelecer a primeira universidade de Portugal em Lisboa (que foi transferida para Coimbra em 1308), a cidade então já dispunha de grandes edifícios religiosos e conventuais.

Dom Fernando I, "o Formoso", construiu a famosa Muralha Fernandina, já que a cidade crescia para fora das muralhas]. Começando pelo lado dos bairros mais pobres e acabando nos bairros da burguesia, a maior parte do dinheiro que foi utilizado veio desta última. Esta estratégia mostrou-se conveniente, já que de outra forma a burguesia deixaria de financiar a obra.

De Lisboa partiram numerosas expedições na época dos descobrimentos (séculos XV a XVII), como a de Vasco da Gama em 1497-1498. A cidade reforça a sua condição de grande porto e centro mercantil da Europa.

Na época da expansão as casas de Lisboa tinham de três a cinco andares, sendo no primeiro uma loja e nos últimos as instalações dos comerciantes. Nesta época havia uma mistura de raças em Lisboa como não se via noutro ponto da Europa. Num livro sobre Dom Manuel I, "o Venturoso", aparece uma imagem que representa a vida quotidiana nesta época: a uma mesa está sentada uma família, dois filhos e um casal, sentada em bancos de três pernas. A decoração da sala é simples, tem um pequeno armário de parede com janelinhas de vidro onde estão guardadas as louças de prata da família e pouco mais. A um canto vê-se uma cortina de seda, presa por aros de ouro, entreaberta. Do lado de lá da cortina parece existir uma cozinha ou adega, onde estão dois serviçais negros. Para além dos escravos, Lisboa era muito frequentada por uma grande quantidade de comerciantes estrangeiros.

É em Lisboa que se dá a principal revolta que causou a Restauração da Independência, em 1640.

No início do século XVIII, no reinado de Dom João V, a cidade foi dotada de uma grande obra pública, extraordinária para a época: o Aqueduto das Águas Livres. A cidade foi quase na totalidade destruída em 1 de novembro de 1755 por um grande terramoto, e reconstruída segundo os planos traçados pelo Marquês de Pombal (daí a parte central designar-se por Baixa Pombalina). A quadrícula adoptada nos planos de reconstrução permite desenhar as praças do Rossio e Terreiro do Paço, esta com uma belíssima arcada e aberta ao rio Tejo. Ainda no século XVIII e a instâncias de D. João V, o Papa concedeu ao arcebispo da cidade o título honorífico de Patriarca e a nomeação automática como Cardeal (daí o título de "Cardeal Patriarca de Lisboa").

Nos primeiros anos do século XIX Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, obrigando o rei Dom João VI a retirar-se temporariamente para o Brasil. A cidade ressentiu-se e muitos bens foram saqueados pelos invasores. A cidade viveu intensamente as lutas liberais e iniciou-se uma época de florescimento dos cafés e teatros. Mais tarde, em 1879, foi aberta a Avenida da Liberdade que iniciou a expansão citadina para além da Baixa.

Lisboa tornou-se o palco principal de mais revoltas ou revoluções: a implantação da república em 4-5 de Outubro de 1910, e a Revolução dos Cravos que, em 25 de Abril de 1974, pôs fim ao regime que vigorava desde 1928 (com a designação de Estado Novo desde 1933). Desde esta data, após um período conturbado até 1975, Lisboa e o país têm sido governados por um regime democrático.

Geografia

Localizada na margem direita do rio Tejo, junto à foz, a 38º42' N e a 9º00' W, com altitude máxima na Serra de Monsanto, Lisboa é a capital mais ocidental da Europa. Fica situada a oeste de Portugal, na costa do Oceano Atlântico.

Os limites da cidade, ao contrário do que ocorre em grandes cidades, encontram-se bem delimitados dentro dos limites do perímetro histórico. Isto levou à criação de várias cidades ao redor de Lisboa, como Loures, Odivelas, Amadora e Oeiras, que são de facto parte do perímetro metropolitano de Lisboa.

O centro histórico da cidade é composto por sete colinas, sendo algumas das ruas demasiado estreitas para permitir a passagem de veículos.A cidade serve-se de três funiculares e um elevador (Elevador de Santa Justa). A parte ocidental da cidade é ocupada pelo Parque Florestal Monsanto, um dos maiores parques urbanos da Europa, com uma área de quase 10 km².

Duas pontes unem a cidade à outra margem:

  • A Ponte 25 de Abril, inaugurada em 1966 com o nome de Ponte Salazar e posteriormente rebaptizada com a data da Revolução dos Cravos.
  • A Ponte Vasco da Gama, inaugurada em Maio de 1998 e com 18 km de comprimento, é a maior da Europa e uma das maiores do mundo.

Há séculos atrás, o estuário era mais largo; a sua redução com o passar dos anos provocou a ampliação do terreno disponível para a cidade.

Clima

Lisboa é uma das capitais mais amenas da Europa. A primavera é fresca a quente (de 6°C a 28°C) com sol e alguns aguaceiros. O verão é seco, quente com algum vento e temperaturas entre 16°C a 37°C. O Outono é ameno e instavel com temperaturas entre 7°C e 24°C e o Inverno é tipicamente chuvoso e fresco também com algum sol (temperaturas entre 3°C e 18°C). É muito raro nevar — Lisboa recentemente viu neve nos dias 29 Janeiro de 2006 e 28 Janeiro de 2007 devido a uma frente fria que atravessou a Europa nesses dias. Já não se registava neve hà mais de 40 anos apenas alguns dias com saraiva. Em média há 3300 horas de sol e 100 dias de chuva por ano. O Clima de Lisboa é fortemente influenciado pela Corrente do Golfo.

Médias Climáticas Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Temperatura mínima/máxima (°C) 8/14 9/16 11/18 11/19 14/22 16/26 18/28 18/29 17/27 15/22 12/17 10/15
Possibilidade de chuva (%) 43% 26% 26% 35% 31% 17% 7% 11% 22% 38% 40% 40%

Diferenças horárias

(GMT/UTC +1 no verão)

Evolução demográfica

Na estrutura demográfica, as mulheres representam mais de metade da população (54%) e os homens 46%.[1]

A cidade apresenta uma estrutura etária envelhecida, com 25% de idosos (65 anos ou mais), quando a média portuguesa é de 17%. Entre os mais novos, 13% da população tem menos de 15 anos, 9% está entre os 15 e os 24 anos e 53% dos 25 aos 64 anos de idade.[1]

População do concelho de Lisboa (1801 – 2006)
1801 1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2004 2006
203.999 174.668 350.919 591.939 801.155 807.937 663.394 564.657 529.485 509.751

Município e Organização Administrativa

O município de Lisboa é administrado por uma Câmara Municipal composta por 17 vereadores. Existe uma Assembleia Municipal que é o órgão legislativo do município, constituída por 107 deputados.

Nas eleições de 9 de Outubro de 2005, a composição dos órgãos autárquicos ficou a ser a seguinte:

Órgão PSD PS PCP BE CDS-PP PEV
Vereadores da Câmara Municipal 8 5 2 1 1 0
Deputados da Assembleia Municipal 56 28 13 5 3 2
dos quais: eleitos directamente 23 16 5 5 3 2

O cargo de Presidente da Câmara Municipal ficou vago desde 15 de Maio de 2007, após a demissão de António Carmona Rodrigues que tinha sido eleito pelo PSD. A nova Câmara Municipal foi eleita em 15 de Julho de 2007, tendo sido eleito António Costa, pelo PS. A nova distribuição de vereadores, de acordo com os resultados, é a seguinte:

Órgão PS Lisboa com Carmona (indep.) PSD Cidadãos por Lisboa (indep.) PCP BE
Vereadores da Câmara Municipal 6 3 3 2 2 1

Freguesias

São 53[2] as freguesias que compõem a cidade de Lisboa; estão agrupadas, para efeitos administrativos, em quatro bairros:

Geminações

Lisboa está geminada com as seguintes cidades:

Economia

Lisboa é a cidade mais rica de Portugal com um PIB per capita superior à média europeia e tem uma economia concentrada em serviços. O Porto de Lisboa é o porto mais activo da Costa Atlântica Europeia. Por outro lado, a cidade tem vários portos desportivos, como em Belém, Santo Amaro, Bom Sucesso, Alcântara e Olivais. A maioria das sedes das multinacionais existentes no país está situada em Lisboa e é ainda a 9ª cidade a nível mundial que mais recebe congressos internacionais[1].

A Área Metropolitana de Lisboa é altamente industrializada, especialmente na zona sul do rio Tejo. As indústrias principais consistem em refinarias de petróleo, indústrias têxteis, estaleiros, siderurgia e pesca.

É por essas razões considerada o segundo centro financeiro e económico mais importante na Península Ibérica, apenas atrás de Madrid.

Cultura

Lisboa é uma cidade com uma vibrante vida cultural, sendo considerada um dos grandes centros culturais europeus. Mais antiga do que Roma, epicentro dos descobrimentos e de um vasto império desde o século XV, a cidade habituou-se a ser o ponto de encontro das mais diversas culturas, o lugar primeiro em que Oriente, Índias, Áfricas e Américas se encontraram e descobriram. Mantendo estreitas ligações, sempre mais afectivas e culturais do que económicas, com as antigas colónias portugesas e hoje países independentes, Lisboa é uma das cidades mais cosmopolitas da Europa. É possível, numa só viagem de metro pela linha verde ouvir falar línguas como o cantonês (da China), o crioulo cabo-verdiano, o gujarati (da Índia), o ucraniano, o italiano ou o português com pronúncia moçambicana ou brasileira. E nenhuma delas falada por turistas, mas sim por habitantes da cidade.

Desde 1994, quando foi Capital europeia da cultura, Lisboa tem vindo a acolher uma série de eventos internacionais (como a Expo 98, o Tenis World Master 2001 ou o Euro 2004) que têm tido um grande impacto no desenvolvimento de actividades e infraestruturas culturais. Em 2005, Lisboa foi considerada pela International Congress & Convention Association como a oitava cidade do mundo mais procurada para a realização de eventos e congressos internacionais. Por Lisboa têm passado iniciativas como a Gymnaestrada, a MTV Europe Music Awards, o Rali Dakar ou os 50 anos da Tall Ships' Races (Regata Internacional dos Grandes Veleiros).

Assim, a viragem do século viu multiplicarem-se as salas de teatro e de cinema, viu serem construídos pavilhões de exposições, museus, equipamentos desportivos. O desenvolvimento da economia em Lisboa levou a uma explosão do marketing e, consequentemente, do mecenato. As grandes salas de espectáculos, os museus e outras instituições exibem hoje os logótipos das maiores empresas do país e de multinacionais.

O reverso da moeda está na degradação de muito do património arquitectónico menos monumental ou visível contra a qual os diferentes executivos camarários têm vindo a lutar, nem sempre com sucesso. A especulação imobiliária tem arrasado, nos últimos anos, milhares de prédios de construção antiga, mas não classificados pelo IPPAR, para agradar a uma crescente procura por habitações em estado novo. A casa de Almeida Garrett, demolida em Agosto de 2006, foi uma das mais recentes vítimas desta fúria construtora/destruidora.

A cultura de Lisboa é hoje, como sempre, a cultura da diversidade e da mistura. O eixo Alfama-Baixa/Chiado-Bairro alto é palco para a cultura erudita como para a popular, para a cultura jovem como para a tradicional. Em qualquer noite lisboeta, mesmo a um dia de semana, a oferta é variada, a um jantar com fado ao vivo no Bairro Alto pode seguir-se um espectáculo de ópera no São Carlos, ou um concerto de rock no Coliseu dos Recreios. Pode continuar-se com um concerto da música electrónica mais alternativa e mais underground na ZDB (de volta ao Bairro Alto) ou com uma viagem pelos muitos bares e discotecas (danceterias) do Bairro Alto ou de toda a zona ribeirinha da cidade, desde a "Expo" (Parque das Nações) até Belém. Quando o Sol nasce é tempo de ver os milhares de turistas que enchem os monumentos e lugares históricos, como o castelo, o bairro típico de Alfama ou Belém.

Estações Culturais

As estações do ano são marcadas em Lisboa pelos diferentes acontecimentos culturais.

Em 2006, 2007, o ano começou com a partida do Rali Dakar de Belém, que não sendo um evento cultural se torna devido aos inúmeros eventos culturais associados a esta prova, como concertos de música e espetaculos de animação de rua, essa prova foi cancelada em 2008 por motivo de ameaça de actos terroristas no seu percurso, esperando que em 2009 a mesma se inicie de novo em Lisboa. Em Fevereiro o Carnaval é festejado nas escolas, pelas crianças, nas instituições recreativas e, no Bairro Alto. Em Março, atletas de muitos os países e milhares de participantes atravessam a Ponte 25 de Abril na célebre "Meia Maratona" de Lisboa. Com o início da Primavera, chegam acontecimentos de massas como o IndieLisboa, um festival internacional de cinema alternativo e independente bem como a Feira do Livro de Lisboa, que decorre ao ar livre no Parque Eduardo VII.

Durante o mês de Junho, decorrem as festas da cidade e os bairros típicos, como Alfama, Madragoa, Mouraria, Castelo e outros, são enfeitados com balões e arcos decorativos. Em cada pequena praça ou rua mais larga, grupos de moradores e associações recreativas improvisam bancas ou esplanadas completas onde se vendem bifanas, doces tradicionais, vinho, sangria, farturas e, sobretudo, muita sardinha assada. Todas as noites há música popular (pejorativamente denominada música pimba). A noite de Santo António, como é popularmente designada, é a véspera de 13 de Junho e o auge das festas. Centenas de milhares de pessoas invadem as ruas e fazem desta a maior festa do ano em Lisboa, muito maior do que a da passagem de ano. No início da noite do dia de véspera de Santo António, na Avenida da Liberdade desfilam as marchas tradicionais de Lisboa, com cada bairro típico a concorrer pela melhor coreografia. Depois disso a multidão toma de assalto os bairros típicos e, até ao raiar do dia, vai comer, beber e dançar ao som não só das músicas populares, mas, desde os últimos anos, de dj's e artistas que se espalham por cada esquina e recanto dos bairros tradicionais.

No verão, os festivais surgem para todos os gostos e em todas as dimensões e feitios. Ele há os de teatro e artes cénicas bem como os de música (Super-Rock, [email protected] e, de dois em dois anos, o Rock in Rio Lisboa) ou ainda a bienal "LisboaPhoto" (exposições de fotografia de autor), ou a "Luzboa" (bienal sobre luz, incluindo instalações de luz pela cidade). Em Agosto, com a cidade deserta de lisboetas e entregue a multidões de turistas cada vez maiores de ano para ano, a cultura continua com o festival Jazz em Agosto da Fundação Calouste Gulbenkian e com o Festival do Oceanos no Parque das Nações.

No regresso de Setembro, a cultura espera os lisboetas com a "Experimentadesign" (bienal de design) e o Festival Internacional de Órgão de Lisboa, sem esquecer a Meia Maratona de Portugal, em que dezenas de milhares de lisboetas correm sobre a ponte Vasco da Gama. Ao longo do Outono volta o cinema com o DocLisboa (festival internacional de documentário), o Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa e o Festival "Temps d'Images".

A "Moda Lisboa" vem aquecer o inverno mais suave de todas as capitais europeias e faz-se acompanhar do "Lisbonarte" (exposições de artes plásticas nas galerias de arte) e da Mostra de Teatro Jovem, que faz subir ao palco os futuros talentos das artes cénicas.

Na Grande Lisboa existe ainda uma quantidade inumerável de eventos culturais, como a Festa do Avante! (que é a festa do Partido Comunista Português mas que, na prática, é um dos melhores e mais acorridos festivais do país, frequentado por gente de todos os quadrantes políticos), o Festival de Música de Sintra, o Festival de Almada (festival de teatro que decorre também em salas no centro de Lisboa), o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora ou o Seixal Jazz.

Espaços públicos e museus

Lisboa dispõe de numerosas universidades públicas e privadas (Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, Universidade Autónoma de Lisboa, Universidade Lusíada de Lisboa, Universidade Lusófona), bibliotecas (Biblioteca Nacional) e museus, destacando-se o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu Calouste Gulbenkian, o Museu do Chiado, o Museu da Água, o Museu da Farmácia, o Oceanário de Lisboa, o Museu Nacional dos Coches (o mais visitado do país), o Museu Militar, Museu Nacional do Azulejo, Museu da Electricidade, Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Museu da Música, Museu Nacional do Teatro, Museu Nacional do Traje e o Museu da Cidade. Nas salas de espectáculos destacam-se o Coliseu de Lisboa, a Aula Magna da Universidade de Lisboa, o Teatro Nacional de São Carlos (ópera), o Fórum Lisboa, os auditórios da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Cultural de Belém e da Culturgest, o Pavilhão Atlântico e a Praça de Touros do Campo Pequeno.

Igrejas

Das inúmeras Igrejas que há em Lisboa destacam-se entre outras:

Templos de outras religiões

Música

A música tradicional de Lisboa é o fado, canção nostálgica acompanhada à guitarra portuguesa. De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.

Uma explicação popular para a origem do fado de Lisboa remete para os cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no fado, teriam sido herdadas daqueles cantos. No entanto, tal explicação é ingénua de uma perspectiva etnomusicológica.

Mais plausivelmente, a origem do fado parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o lundu, no então rico caldo de culturas presentes em Lisboa, tendo como resultado a extraordinária canção urbana conhecida como "fado".

Teatro

Principais companhias de teatro:

Principais salas de teatro:

Cinema

Todos os anos têm lugar os seguintes festivais:

Dança

A Companhia Nacional de Bailado foi criada em 1977 e foi responsável pela primeira realização nacional de produções integrais de bailados clássicos. Lisboa acolhe a Companhia Nacional de Bailado, companhia estatal e única com uma programação de dança clássica e contemporânea em Portugal. Após a Expo'98, a CNB tornou-se residente do Teatro Camões, junto ao Tejo, no Parque das Nações. Conta com a Fundação EDP como mecenas exclusivo. Vasco Wellenkamp é o seu director artístico.

A Companhia de Dança de Lisboa, CDL, fundada em 1984 com os objectivos de, divulgar e descentralizar a dança. Ensinar as diferentes técnicas de dança em aulas abertas à população (a partir dos 3 anos de idade), criar e apresentar espectáculos, com particular atenção sobre temas da cultura portuguesa,(a nível nacional e internacional) e criar interpretes e público para a Dança e outras expressões artísticas. [4].

Gastronomia

A gastronomia de Lisboa é influenciada pela proximidade do mar. São especialidades tipicamente lisboetas a açorda de marisco, as pataniscas de bacalhau, os peixinhos da horta (bolinhos fritos de feijão verde, não de peixe) e, na doçaria, os famosos pastéis de Belém que são famosos no país inteiro e internacionalmente e conhecidos como pastéis de nata ou natas.

Turismo

Monumentos

Como monumentos e tópicos de interesse turístico destacam-se, na Lisboa medieval:

Da cidade da época dos Descobrimentos podemos ver hoje na zona de Belém, duas construções classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade:

Do início do século XVIII o monumento mais significativo é o Aqueduto das Águas Livres. Após o terramoto de 1755, no plano em grelha aprovado pelo Marquês de Pombal (Baixa Pombalina) para a zona central da cidade, construíram-se as praças do Comércio (o Terreiro do Paço), junto ao Tejo, e do Rossio. Nas proximidades e com interesse histórico ou artístico são ainda a Praça dos Restauradores e o Elevador de Santa Justa, projectado em finais do século XIX por Mesnier du Ponsard (suposto embora erradamente como um discípulo de Eiffel).

De referir ainda os palácios reais das Necessidades e da Ajuda, na parte Oeste da cidade.

Em finais do século XIX os planos urbanísticos permitiram estender a cidade além da Baixa para o vale da actual Avenida da Liberdade. Em 1934 é construída a Praça do Marquês de Pombal, remate superior da avenida.

No século XX sobressaem os extensos planos urbanísticos das Avenidas Novas, da envolvente da Universidade de Lisboa (Cidade Universitária), e da zona dos Olivais, e os mais recentes do Parque das Nações e da Alta de Lisboa, ainda em construção. Os edifícios do fim do século XX mais notáveis em termos de arquitectura, incluem, entre outros, as Torres das Amoreiras (1985, do arquitecto Tomás Taveira que também foi o autor do polémico Bairro do Condado na antiga Zona J), o Centro Cultural de Belém (inaugurado em 1991), a Estação do Oriente (de Santiago Calatrava), a Torre Vasco da Gama e o Oceanário de Lisboa (de Peter Chermayeff), todos de 1998.

Infra-estruturas e transportes

Está ligada à outra margem do Tejo por duas pontes: a ponte 25 de Abril, na parte sul, inaugurada em 6 de Agosto de 1966, que liga Lisboa e Almada e a ponte Vasco da Gama (a quarta maior ponte do Mundo, em comprimento), inaugurada em Maio de 1998, que liga o nordeste da capital (zona do Oriente e Sacavém) a Montijo.

O aeroporto de Lisboa (aeroporto da Portela) situa-se a 7 km do centro, na zona nordeste da cidade. Foi aprovado em 2008 a construção de um novo aeroporto na zona do Campo de Tiro de Alcochete, na margem sul do Tejo, a cerca de 40 km da cidade.

O Porto de Lisboa é paragem de numerosos cruzeiros e um dos principais portos turísticos europeus e está equipado com três cais para navios-cruzeiro: Alcântara, Rocha Conde Obidos e Santa Apolónia. Por outro lado, a cidade tem várias marinas para barcos de recreio, nas docas de Belém, Santo Amaro, Bom Sucesso, Alcântara Mar e Olivais.

A cidade acolheu, em 1998, a exposição mundial Expo 98, subordinada ao tema dos Oceanos. A exposição abriu em 22 de Maio de 1998, precisamente no dia em que se celebraram os 500 anos da descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama.

A cidade dispõe de uma rede ferroviária urbana e suburbana com 9 linhas (sendo 4 de metropolitano (metro) e 5 de comboio suburbano) e 119 estações (48 de metropolitano e 71 de comboio suburbano). A exploração da rede de metro é efectuada pela Metropolitano de Lisboa e a rede ferroviária suburbana pela Caminhos de Ferro Portugueses (linhas de Azambuja, Cascais, Sintra e Sado) e pela Fertagus (linha do eixo norte sul, entre Roma-Areeiro e Setúbal). As principais estações do caminho de ferro são: Oriente, Rossio, Cais do Sodré e Santa Apolónia. A exploração dos autocarros, eléctricos e elevadores (Bica, Glória, Lavra e Santa Justa) está a cargo da empresa Carris.

Existe ainda uma rede de transportes fluviais, a Transtejo, que liga as duas margens do Tejo, com estações em Cais do Sodré, Belém, Terreiro do Paço e Parque das Nações, na margem norte, e Cacilhas, Barreiro, Montijo, Trafaria, Porto Brandão e Seixal, na margem sul.

Lisboa e a sua área metropolitana são também atravessadas por inúmeras auto-estradas. Existem duas auto-estradas circulares - Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL) e Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL ou A9). As principais vias que ligam a cidade ao resto da zona urbana são as auto-estradas A1 (em direcção a norte, por Vila Franca de Xira), A8 (também para norte, via Loures), A5 (em direcção a oeste, até Cascais), A2 (para sul, por Almada) e A12 (para leste, por Montijo).

Telecomunicações

Existem cabines telefónicas públicas onde podem utilizar-se moedas ou cartões específicos que estão à venda nas lojas Portugal Telecom, nas estações de correio, em quiosques e tabacarias assinalados. Os indicativos dos países estão expostos nas cabinas. Para telefonar de Portugal para o estrangeiro, marque 00, o código do país e da cidade, seguido do número pretendido.

Lisboetas (Alfacinhas) ilustres

O termo de Alfacinhas na origem da designação perdeu-se, há quem explique que nas colinas de Lisboa primitiva verdejavam já as "plantas hortenses utilizadas na culinária, na perfumaria e na medicina" que dão pelo nome de alfaces, e Alface que vem do árabe, poderá indicar que o cultivo da planta começou aquando da ocupação da Península pelos fiéis de Alá, há também quem sustente que, num dos cercos de que a cidade foi alvo, os habitantes da capital portuguesa tinham como alimento quase exclusivo as alfaces das suas hortas, o certo é que a palavra ficou consagrada e que os grandes da literatura portuguesa habituaram-se a tomar alfacinha por lisboeta.[5]

Referências

  1. 1,0 1,1 Lisboa é o concelho com mais população residente, Diário de Notícias, 29 de Maio de 2007
  2. Freguesias de Lisboa
  3. Está actualmente em discussão uma alteração de limites que colocariam toda a área do Parque das Nações dentro do Concelho de Lisboa, formando a Freguesia do Oriente. Tal alteração é defendida pelos habitantes e organizações do Parque das Nações, de forma a existir uma só estrutura administrativa nesse bairro (que, funcionalmente, pertence à cidade de Lisboa).
  4. Página da Companhia de Dança de Lisboa
  5. Resposta à duvida colocada de Alfacinha = lisboeta pelo Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

Ligações externas



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