Primeira Guerra Mundial

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Primeira Guerra Mundial
Parte da Segunda Guerra dos Trinta Anos
De cima para baixo e da esquerda para a direita: Trincheiras na Frente Ocidental; o avião bi-planador Albatros D.III; um carro de combate inglês Mark I cruzando uma trincheira; uma metralhadora automática comandada por um soldado com uma máscara de gás; o afundamento do navio de guerra Real HMS Irresistible após bater em uma mina.

De cima para baixo e da esquerda para a direita: Trincheiras na Frente Ocidental; o avião bi-planador Albatros D.III; um carro de combate inglês Mark I cruzando uma trincheira; uma metralhadora automática comandada por um soldado com uma máscara de gás; o afundamento do navio de guerra Real HMS Irresistible após bater em uma mina.
Informações
Data 28 de julho de 1914 – 11 de novembro de 1918
Local Europa, Oriente Médio, África, Oceano Pacífico, Oceano Atlântico, Oceano Índico,
Intervenientes
Tríplice Entente Tríplice Aliança
Principais líderes
Forças
Vítimas

A Primeira Guerra Mundial (que antes da Segunda Guerra Mundial era chamada de Grande Guerra) foi um conflito armado ocorrido entre 1914 e 1918 na Europa, Oriente Médio, África e Ásia Oriental. Foi a parte inicial da Guerra dos Trinta Anos (1914-1945). Os aliados da Tríplice Entente, liderados por França, Inglaterra e Rússia, e posteriormente, a Itália (a partir de 1915) e os Estados Unidos da América (a partir de 1917), venceram a guerra contra os Poderes Centrais da Tríplice Aliança, liderados pelo Império Austro-Húngaro, Império Alemão, Império Búlgaro e Império Otomano. A Rússia saiu da guerra após a revolução comunista em 1917.

Os principais motivos que levou à esta guerra foram sobretudo o nacionalismo exagerado e atritos coloniais entre os principais impérios, o desejo de independência de diversas nações integrantes do Império Austro-Húngaro e a concorrência econômica e industrial que a Alemanha passou a oferecer à Inglaterra e à França, que até então eram as principais potências economicas da Europa. A Alemanha por sua vez, entrou na guerra apenas para honrar a aliança que tinha com o Império Austro-Húngaro, este que na época era o segundo maior estado da Europa após a Rússia.

O Reino da Itália que era aliado dos Poderes Centrais na Tríplice Aliança, permaneceu neutro no início do conflito, e mais tarde, influenciado pelo irridentismo e pelo desejo de ter os territórios de população italiana ocupados pelo Império Austro-Húngaro, acabou por entrar em guerra contra seus antigos aliados após receber pressões diplomáticas e promessas territoriais da Inglaterra e da França. O não cumprimento destas promessas acabaram por fazer a Itália se aproximar da Alemanha durante o Terceiro Reich.

Com o fim da guerra foi assinado o Tratado de Trianon (que desmantelava o Império Austro-Húngaro) e o Tratado de Versalhes (que obrigava a Alemanha a fazer imensas consessões territoriais). Durante a guerra ocorreram o genocídio arménio e o genocídio grego (contra gregos pônticos que habitavam a atual Turquia) quando Império Otomano, com medo de perder novos territórios (já havia perdido os balcãs antes da Primeira Guerra Mundial) promoveu limpezas étnicas contra minorias principalmente cristãs. Diversos países da Europa ganharam independência como a Checoslováquia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Estónia, Jugoslávia e Polónia.

Índice

Precedentes e causas

A Europa tinha seus impérios em grande rivalidade e tensão. A Alemanha, unificada em 1871 entrou num período de rápido desenvolvimento industrial, e obteve possessões na África, Extremo Oriente e Oceano Pacífico, colocando em risco a hegemonia inglesa.

A França, tinha um desejo de revanche desde as guerras napoleonicas, quando a Alsácia-Lorena passou a integrar o Império Alemão.

A corrida armamentista naval entre Inglaterra e Alemanha foi intensificada pelo lançamento em 1906 do HMS Dreadnought um navio revolucionário cujo tamanho e poder tornou os encouraçados da época obsoletos. O custo da corrida armamentista foi sentido na Inglaterra e Alemanha. O gasto total das dos exércitos forças armadas das seis grandes potências (Inglaterra, Alemanha, França, Rússia, Áustria-Hungria e Itália) aumentou em 50% entre 1908 e 1913.

Alianças

No século XIX, as grandes potências europeias tinham percorrido um longo caminho para manter o equilíbrio de poder em toda a Europa, resultando na existência de uma complexa rede de alianças políticas e militares em todo o continente por volta de 1900. Estes começaram em 1815, com a Santa Aliança entre Reino da Prússia, Império Russo e Império Austríaco. Então, em outubro de 1873, o chanceler alemão Otto von Bismarck negociou a Liga dos Três Imperadores (em alemão: Dreikaiserbund) entre os monarcas da Áustria-Hungria, Rússia e Alemanha. Este acordo falhou porque a Áustria-Hungria e a Rússia tinham interesses conflitantes nos Bálcãs, o que fez com que a Alemanha e Áustria-Hungria formassem uma aliança em 1879, chamada de Aliança Dua. Isto foi visto como uma forma de combater a influência russa nos Bálcãs, enquanto o Império Otomano continuava a se enfraquecer. Em 1882, esta aliança foi ampliada para incluir a Itália no que se tornou a Tríplice Aliança.

Depois de 1870, um conflito europeu foi evitado em grande parte através de uma rede de tratados cuidadosamente planejada entre o Império Alemão e o resto da Europa e orquestrada por Bismarck. Ele trabalhou especialmente para manter a Rússia ao lado da Alemanha, para evitar uma guerra de duas frentes com a França e a Rússia. Quando Guilherme II subiu ao trono como imperador alemão (kaiser), Bismarck foi obrigado a se aposentar e seu sistema de alianças foi gradualmente enfatizado. Por exemplo, o kaiser se recusou a renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia em 1890. Dois anos mais tarde, a Aliança Franco-Russa foi assinada para contrabalançar a força da Tríplice Aliança. Em 1904, o Reino Unido assinou uma série de acordos com a França, a Entente Cordiale, e em 1907, o Reino Unido e a Rússia assinaram a Convenção Anglo-Russa. Embora estes acordos não tenham aliado o Reino Unido com a França ou a Rússia formalmente, eles fizeram a entrada britânica em qualquer conflito futuro envolvendo a França ou a Rússia e o sistema de intertravamento dos acordos bilaterais se tornou conhecido como a Tríplice Entente.

Guerra ítalo-turca e guerras balcânicas

Em 1911 a Itália entra em guerra com o Império Otomano, para tentar possuir colônias na África, tendo interesse na Cirenaica e Tripolitânia (Líbia). A seguinte derrota otomana neste conflito, causou grande impacto nos balcãs, onde a Liga Balcânica (Sérvia, Grécia e Bulgária, que estavam ocupados pelo Império Otomano) desejou libertar-se, gerando a Primeira Guerra Balcânica que durou de outubro de 1912 a maio de 1913. As forças combinadas dos Estados balcânicos conseguiram superar as forças otomanas, numericamente inferiores e em desvantagem estratégica.

Como resultado da Primeira Guerra Balcânica, quase todos os territórios europeus do Império Otomano foram conquistados e divididos entre os aliados, e um Estado independente albanês foi criado, por pressão da Áustria-Hungria e da Itália. Apesar deste sucesso, as nações balcânicas permaneceram insatisfeitos com o resultado da guerra, e as tensões internas que surgiram com a retirada da ameaça otomana, que até então os unira, logo resultou na Segunda Guerra Balcânica entre 29 de junho de 1913 e 10 de agosto de 1913. Neste segundo conflito, a Bulgária estava insatisfeita com a divisão dos novos territórios, e entrou novamente em conflito contra seus antigos aliados da Liga Balcânica - Sérvia, Grécia e Montenegro - somados a Romênia e o Império Otomano. A Bulgária saiu derrotada, resultado desta guerra tornou a Sérvia, um importante aliado da Rússia, em uma potência regional dos Bálcãs, alarmando a Áustria-Hungria e indiretamente tornando-se mais uma causa para a Primeira Guerra Mundial.

Início

No dia 28 de junho de 1914, Gavrilo Princip, um estudante sérvio bósnio, assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, em Sarajevo. Princip era um membro da Jovem Bósnia, um grupo cujos objetivos incluía a unificação dos eslavos meridionais e sua independência da Áustria-Hungria. O assassinato em Sarajevo colocou em movimento uma série de acontecimentos que eventualmente se transformaram em guerra em grande escala. A Áustria-Hungria exigiu uma ação por parte da Sérvia para punir os responsáveis​​, e quando a Áustria-Hungria considerou que a Sérvia não tinha cumprido, declarou guerra. As principais potências européias estavam em guerra dentro de algumas semanas por causa da sobreposição de acordos para a defesa coletiva e da natureza complexa de alianças internacionais.

Frente Ocidental

Guerra nas trincheiras

Soldados alemães enfeitam uma árvore de natal nas trincheiras, em 1914.

Os avanços na tecnologia militar significaram na prática um poder de fogo defensivo mais poderoso que as capacidades ofensivas, tornando a guerra extremamente mortífera. O arame farpado era um constante obstáculo para os avanços da infantaria; a artilharia, muito mais letal que no século XIX, armada com poderosas metralhadoras. O gás tóxico foi usado a partir de 1915 por ambos os lados, e tornou a vida nas trincheiras ainda mais difícil.

Numa nota curiosa, temos que no início da guerra, chegando a primeira época natalícia, se encontram relatos de os soldados de ambos os lados cessarem as hostilidades e mesmo saírem das trincheiras e cumprimentarem-se (trégua de Natal). Isto ocorreu sem o consentimento do comando, no entanto, foi um evento único. Não se repetiu posteriormente por diversas razões: o número demasiado elevado de baixas aumentou os sentimentos de ódio dos soldados e o comando, dados os acontecimentos do primeiro ano, tentou usar esta altura para fazer propaganda, o que levou os soldados a desconfiar ainda mais uns dos outros.

A alimentação era sobretudo à base de carne, vegetais enlatados e biscoitos, sendo os alimentos frescos uma raridade.

Frente Oriental

Com o início da Frente Oriental, a estratégia da Alemanha era apenas de fazer a Rússia perder tempo deixando o 8 exército na Prússia Oriental e concentrar suas forças na Frente Ocidental contra a França para depois organizar um ataque junto com o Império Austro-Húngaro aos russos. No entanto, o chefe do Estado-maior da Áustria-Hungria, o Conde Franz Conrad von Hötzendorf, estava impaciente em acabar logo com a máquina de guerra russa.

Os russos por sua vez, queriam no primeiro momento atacar apenas a Áustria-Hungria e esperar um momento favorável para atacar a Alemanha em seguida, poré, a França fazia pressão para a Rússia atacar a Alemanha e aliviar a Frente Ocidental. A marinha imperia russa encontrava-se ainda em fase de reconstrução desde a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) ao início da Primeira Guerra Mundial e sua frota estava dividida em duas regiões: a frota do Mar Báltico, obsoleta e inferior tanto quantitativamente quanto qualitativamente em relação à Hochseeflotte da Alemanha, e a frota do Mar Negro que podia ter um confronto equilibrado com a marinha otomana.

O exército russo então inicia a invasão na Prússia Oriental e na Batalha de Stallupönen em 17 de agosto de 1914 os alemães, em número bem menor, conseguem atrasar a avançada russa. No dia 20 de agosto, o comandante do exército Maximilian von Prittwitz concedeu ao general Hermann von François uma tentativa de contra-atacar na Batalha de Gumbinnen, quando os russos tiveram sua primeira vitória decisiva. Von Prittwitz passou então a achar impossivel defender a região e queria que Von François retiresse todas as tropas para o atrás do rio Vístula, onde poderiam se defender, no entanto tal estratégia deixaria a inteira Prússia Oriental desprotegida o que era inaceitável para o Estado-Maior General da Alemanha (Großer Generalstab).

Foi então que o general Paul von Hindenburg, com 67 anos e já aposentado, foi convocado para chefiar o exército alemão na Frente Oriental, o qual nomeou como chefe de Estado-Maior o general Erich Ludendorff.

Frente Italiano

Tropas italianas entrincheiradas no Isonzo.
Tropas austro-húngaras cruzam o Rio Isonzo sob forte fogo inimigo na Batalha de Caporetto.

A Itália, então aliada da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na chamada Tríplice Aliança permaneceu neutra no início da guerra devido ao fato de não ter sido consultada pelos seus aliados na eclosão do conflito. Porém em seguida viu a possibilidade de anexar as regiões habitadas pela etnia italiana, como o Trentino e a Ístria que estavam ocupados pelo Império Austro-Húngaro. Em 1915 então a Itália entra em guerra acreditando esta ser de pouca duração, pois a Áustria-Hungria já vinha enfrentando problemas contra a Sérvia. O plano era uma ofensiva surpresa que ocuparia rapidamente as principais cidades austríacas.

Na prática porém, o exército italiano não logrou êxito em avançar e apesar da vantagem numérica, esta guerra se transformou em uma guerra de posição e de trincheiras, em situação parecida da que ocorria no Frente Ocidental. O general italiano Luigi Cadorna, usava estratégias obsoletas. Houve 11 batalhas no Rio Isonzo onde os italianos ficaram bloqueados. Em 24 de Outubro de 1917, na Batalha de Caporetto ou décima segunda batalha do Isonzo, as tropas austro-húngaras foram reforçadas por tropas alemãs que voltavam da Frente Oriental (a Rússia havia saido da guerra com a revolução comunista), e o exército italiano teve a maior derrota histórica, mais de 275.000 de seus soldados capturados e com isto o fronte recuou cerca de 100 quilômetros até o Rio Piave. Somente com a ajuda estadunidense que a Itália conseguiu vencer o Império Austro-Húngaro, exatamente um ano depois na Batalha de Vittorio Veneto.

Fim da guerra

Concessões territoriais que o Império Alemão teve que conceder pelo Tratado de Versalhes.

Com o fim da guerra a Alemanha foi obrigada a assinar o Tratado de Versalhes, que entre outras coisas exigia que:

  • Entregar a região da Alsácia-Lorena à França;
  • Ceder territórios à Bélgica, á Dinamarca e a Polónia;
  • Entregar quase todos os seus navios mercantes à França, Inglaterra e Bélgica;
  • Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores;
  • Reduzir o poderio militar dos seus exércitos a um máximo de 100.000 homens, sendo proibida de possuir aviação militar, submarinos, blindados ou encouraçados modernos.

Ligações externas

  • [1] - Benjamin H. Freedman: A verdade sobre a Primeira Guerra Mundial (em português)

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