Marxismo

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Marxista é quem leu Marx; ex-marxista é quem entendeu Marx. (Ronald Reagan)


O Marxismo, é o conjunto de doutrinas políticas e filosóficas derivadas da obra de Karl Marx, filósofo, economista e jornalista de origem judia do século XIX e de seu amigo Friedrich Engels. Marx e Engels se basearam na filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel e de Ludwig Feuerbach, a economia política do inglês Adam Smith, a economia do judeu David Ricardo e do socialismo utópico francês do século XIX, para desenvolverem uma crítica pseudocientífica ao capitalismo da época da revolução industrial.

Também se costuma chamar de teoria marxista quando se fazem referência a aplicação de abordagens marxistas a diversas questões não estritamentes econômicas ou políticas, como a religião, a arte, a relação entre os sexos ou as raças, etc., sem necessidade de assumir a totalidade dos postulados marxistas, o que se conhece como marxismo cultural.

Como regime político, o marxismo tem sido o mais genocida de toda a história da humanidade, assassinando cerca de 110 milhões de pessoas no mundo inteiro.[1]

Economia

O marxismo é, na prática, contrário ao liberalismo econômico e estabelece uma intervenção total do Estado no mercado, pelo qual se tem dito que a economia marxista não é mais que um "capitalismo de Estado". Assim mesmo, defensores da abolição da propriedade privada para indivíduos e sociedades. É uma economia centralmente planificada que pretende acabar com as classes sociais, fazendo a todos iguais economicamente. Para ele, ao tentar "distribuir equitativamente" a riqueza gerada pelo capitalismo, coloca os meios de produção exclusivamente em mãos estatais, acabando com a iniciativa privada e terminando por empobrecer a maior parte da sociedade que deve conformar-se com o pouco que o Estado lhe concede.

Dentro da teoria marxista, apesar de estabelecer em primeira instância a intervenção total do Estado na economia, existe uma segunda fase hipotética e utópica para a realização da 'sociedade comunista', em que conduziria a um suposto equilibrio econômico, parecido ao que existe hoje em dia no capitalismo, que não requerem de intervenção estatal alguma.

A impossibilidade prática de alcançar esta hipotética fase tem motivado os marxistas a incorporar em seu discurso apologético a afirmação de que o comunismo nunca foi constituído como um sistema econômico, e que por ele, regimes como a URSS, o stalinismo ou o castrismo em Cuba, não representam o verdadeiro comunismo, e em seu lugar reivindicam a figuras como Trotsky e Ernesto Guevara.

Aparente oposição ao capitalismo

Ainda que o marxismo surgiu como uma crítica do capitalismo, e geralmente apresenta-se como a antítese, em realidade compartilham bases doutrinárias materialistas e ambos buscam o desaparecimento do Estado, ainda que por distintos meios.

Na prática, o marxismo é a antítese do liberalismo econômico, seu extremo oposto, mas não é a antítese do capitalismo, uma vez que o marxismo segue dependendo do capital para gerar certa riqueza. Os marxistas aceitam de fato as premissas do capitalismo, segundo a qual a economia só pode florescer se for regada com capital, e que o trabalho é uma mera consequência desse capital.

Também se sabe que Marx e posteriormente a Revolução Bolchevique, foram financiados, assim como outros revolucionários, por banqueiros judeus-estadunidenses de Wall Street e de bancários britânicos[2], esta, a fim de apoiar uma "oposição controlada".

Segundo o marxismo, uma minoria ilustrada da sociedade capitalista é a única que tem acesso ao conhecimento e este conhecimento é o único que pode dominar no caso das classes que detentam o poder econômico ou ser utilizado como combustíveis sociais para conduzir a sociedade marxista.

Os setores burgueses são o que dentro desta teoria conduzem a ditadura do proletariado e por sua vez, são as mesmas que levaram as teorias comunistas aos proletariados.

Ditadura do proletariado

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Pôster de propaganda marxista. Marx, Engels, Lenin e Stalin.

A ditadura do proletariado, concebida por Marx como a forma pseudo-parlamentar da Comuna de París, baseada em uma espécie de pluralismo político, que realizaria a transformação da sociedade.

De acordo com Lenin, "somente pode ser considerado marxista quem estende o reconhecimento da luta de classes ao reconhecimento da ditadura do proletariado".

A ditadura do proletariado não é, para Marx, mais do que a conquista do Estado por parte do proletariado que, organizado em clase políticamente dominante, alcança em sua primera fase o Estado Interventor e a supressão de todas as classes.

o primeiro passo da revolução operária é a elevação do proletariado a classe dominante... O proletariado usará a sua dominação política para arrancar a pouco e pouco todo o capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção na mão do Estado,, isto é, do proletariado organizado como classe dominante.


Lenin, no O Estado e a Revolução confirma as teses marxistas:

O proletariado precisa do Estado só por um certo tempo. Sobre a questão da supressão do Estado, como objetivo, não nos separamos absolutamente dos anarquistas. Nós sustentamos que, para atingir esse objetivo, é indispensável utilizar provisoriamente, contra os exploradores, os instrumentos, os meios e os processos de poder político, da mesma forma que, para suprimir as classes, é indispensável a ditadura provisória da classe oprimida... Mas o Estado ainda não está totalmente morto, porque mesmo salvaguardar "direito burguês" consagrado no fato de desigualdade. Para a completa extinção do Estado, o Comunismo completo é necessário.


Materialismo histórico e materialismo dialético

O materialismo é a ideologia, oposta ao espiritualismo e ao idealismo, que reduz todo fenômeno existente como produto da matéria, assim, dando mais importância para o mundo material.

O estudo e a interpretação materialista dialética da História é o objetivo fundamental da atividade marxista porque considera que os povos estão fazendo a sua história, mas não tem consciência disso.

O anterior não significa que a história só conta o desenvolvimento das forças produtivas, ou seja, o desenvolvimento dos modos ou formas de produzir que fazem evoluir o homem; o que quer dizerr é que as forças produtivas são os fatos históricos básicos: Para o marxismo, o motor da história não é o homem, mas as forças produtivas materiais. Por tanto a história se fundamenta na infra-estrutura ou economia (determinada pela natureza material), e não uma mera narração ou exaltação de figuras históricas. Por esta razão o materialismo histórico, (interpretação dialética da história) e o materialismo dialético (interpretação dialética da natureza), (assim como marxistas) Eles são os dois lados de uma só visão científica da natureza e do homem.

O materialismo histórico:

A concepção materialista da história parte da tese de que a produção, e com ela a troca dos produtos, é a base de toda a ordem social; de que em todas as sociedades que desfilam pela história, a distribuição dos produtos, e juntamente com ela a divisão social dos homens em classes ou camadas, é determinada pelo que a sociedade produz e como produz o pelo modo de trocar os seus produtos. De conformidade com isso, as causas profundas de todas as transformações sociais e de todas as revoluções políticas não devem ser procuradas nas cabeças dos homens nem na idéia que eles façam da verdade eterna ou da eterna justiça, mas nas transformações operadas no modo de produção e de troca; devem ser procuradas não na filosofia, mas na economia da época de que se trata.
- Karl Marx, Do Socialismo Utópico ao socialismo científico de 1880.


Para Marx não existe, por tanto, a natureza por um lado e a sociedade por outro. A natureza é a totalidade do existente e, ao mesmo tempo, um momento da práxis humana.[3]

Esta é a forma como Marx acrescenta: "A propriedade do homem sobre a natureza tem sempre como intermediário sua existência como membro de uma comunidade, família, tribo, etc., uma relação com os demais homens que condiciona sua relação com a natureza".

o comportamento obtuso de homens frente a natureza condiciona o seu comportamento obtuso.


Ao que se acrescenta:

O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência.
- Karl Marx, Prólogo a Contribuição a Critica da Economia Política (1859).


Luta de classes

Veja mais em Luta de classes

As análises marxistas das classes sociais considera que a sociedade capitalista se divide principalmente em duas classes:

  • A classe trabalhadora ou proletariado. Marx definiu esta classe como "Os indivíduos que vendem sua mão de obra e não são donos dos meios de produção", a quem considerava responsáveis pela criação da riqueza de uma sociedade (edifícios, pontes e mobiliário, por exemplo, são construidos físicamente por membros desta classe; também os serviços são prestados por assalariados). O proletariado pode dividir-se, por sua vez, em proletariado ordinário e lumpemproletariado, os que vivem em pobreza extrema e não podem encontrar trabalho lícito com regularidade. Estes podem ser prostitutas, mendigos ou indigentes.
  • A burguesia. Que detém os meios de produção e empregar o proletariado. A burguesia pode dividir-se, por sua vez, na alta burguesia e a pequena burguesia: que empregam a mão de obra, mas que também trabalhan. Estes podem ser pequenos propietários, proprietários rurais ou comerciantes.

Para Marx, o comunismo seria uma forma social em que a divisão em classes havia terminado e a estrutura econômica seria produto da "associação dos produtores livres", e o produto social se distribuiria segundo o critério "de cada qual segundo sua capacidade; para cada qual segundo suas necessidades".

Os pensadores marxistas opinavam que a classe trabalhadora devia apropriar-se do Estado capitalista existente e converte-lo em um Estado revolucionário trabalhador que implantaria as estruturas democráticas necessárias, para logo, esperar a que se desintegrar-se por si só depois de um tempo, desde que para Marx "o Estado é um aparato de opresssão", e não haver classe a qual oprimir, se acredita que o Estado estaria perdendo importância à sua total erradicação. Cabe mencionar que Lenin em sua obra O Estado e a Revolução explica que o estado burguês deve ser destruido para logo instaurar um Estado revolucionário e que seria este estado que se extinguiria conforme desaparecem as contradições de classe (O Estado e a Revolução). Por outro lado, outros pensadores anticapitalistas como Mijaíl Bakunin e Piotr Kropotkin, compartilham a ideia da luta de classes, afirmaram que o Estado ou qualquer forma de autoridade e centralização de poder, per se (por si só), foi o problema (político-econômica) e destruí-lo deve ser o objetivo de qualquer atividade revolucionária. Esta dicotomia frente ao Estado marcou a divisão definitiva entre marxistas e anarquistas.

Doutrina de Ódio

Toda a filosofía marxista se baseia, em última instância, em alimentar o ódio, a inveja e o ressentimento das classes baixas contra as classes altas, e toda ação violenta e sangrenta para alcançar o ideal revolucionário na qual a ordem deve inverter-se para que as classes baixas tomem o poder, está justificada.

Em 26 de junho de 1918, Lenin escreveu a Zinoviev: "Não hesite em bater o terror em massa de membros dos sovietes, quando se trata de passar atos".

Em Krasnyi Metch ("A Adaga Vermelha"), órgão do Tcheka de Kiev, podia ler em agosto de 1919: "Nossa moralidade não tem precedente, nossa humanidade é absoluta, porque descansa sobre um novo ideal: destruir qualquer forma de opressão e violência. Para todos nós está permitido, pois somos os primeiros que no mundo criaram a espada não para oprimir e escravizar, mas para libertar a humanidade das cadeias […] O sangue? Deixe o sangue correr para mares!""

Desaparecimento do Estado burguês e do Estado proletário

O Estado do proletário, segundo o marxismo, é um semi-Estado porque o Estado integral é burguês. Inclusive este semi-Estado, segundo os marxistas, deve por sua vez morrer de morte natural. Querem a destruição do Estado burguês, mas também a conquista do Estado pelo "proletariado", que é o único que conduzirá a sociedade comunista.

Ao contrário do marxismo, o anarquismo, busca a extinção do Estado mediante a revolução social e a constituição de uma nova ordem autonomista-federal.

Os marxistas criticam os anarquistas em seu desejo de abolir o estado de um dia para o outro. Visto que a evolução que conduz à sociedade comunista, só pode ser realizado gradualmente, como acontece por leis materialistas.

Marx e Engels profetizaram claramente o desaparecimento do Estado, e isto explica a possibilidade que existiu dentro da Primeira Internacional uma convivência política entre socialistas marxistas e socialistas bakuninistas, convivência que teria sido impossível sem aquela coincidência básica.

Engels, por sua parte, afirmava:

As classes vão desaparecer, e de maneira tão inevitável quanto no passado surgiram. Com o desaparecimento das classes, desaparecerá inevitavelmente o Estado. A sociedade, reorganizando de uma forma nova a produção, na base de uma associação livre de produtores iguais, mandará toda a máquina do Estado para o lugar que lhe há de corresponder: o museu de antiguidades, ao lado da roca de fiar e do machado de bronze..


Esta teoria da extinção do Estado, básica no livro de Lenin "O Estado e a Revolução" foi tomada de Engels, que na subversão da ciência pelo senhor Eugen Duhring, disse:

O proletariado toma o poder do Estado e transforma imediatamente os

meios de produção em propriedade do Estado. Por este ato se destrói a si mesmo enquanto proletariado. Elimina as diferenças de classes e todas as contradições de classes, e ao mesmo tempo incluso o Estado enquanto

Estado.


Marx escreveu em Miséria da Filosofia:

A classe trabalhadora substituirá, no curso do seu desenvolvimento, a antiga sociedade civil por uma associação que excluirá as classes e seu antagonismo, e não haverá mais poder político propriamente dito, já que o poder político é o resumo oficial do antagonismo da sociedade civil.


O marxismo alcançou sua expressão mais sistemática em sua obra mais importante, O Capital, crítica da economia política.

Além das raízes mencionadas, alguns pensadores marxistas do século XX, como Louis Althusser, Toni Negri ou Miguel Abensour têm apontado na obra de Marx, o desenvolvimento de temas nas obras de Maquiavelo ou Spinoza.

Desde a morte de Marx em 1883, vários grupos do mundo inteiro tem apelado ao marxismo como base intelectual de suas políticas, que podem ser radicalmente distintas e opostas. Uma das maiores divisões ocorreu entre os social democratas, que alegavam que a transição ao socialismo pode ocorrer dentro de um sistema multipartidário, democrático e capitalista, e os comunistas, que alegavam que a transição a uma sociedade socialista requeria uma revolução. A social democracia resultou na formação do Partido Trabalhista (Reino Unido) e do Partido Social-Democrata da Alemanha, entre outros partidos; enquanto que o comunismo resultou na formação de vários partidos comunistas; em 1918 na Rússia, antes da formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, derivam dois partidos do Partido Operário Social-Democrata Russo: o Partido Comunista, formação comunista, e o Partido Social Democrata da Rússia, de tendência social democrata.

Ainda existe muitos movimentos pseudo-revolucionários e partidos políticos em todo o mundo, desde o final da União Soviética, ainda que o internacionalismo trabalhador tenha sofrido uma grave crise. Ainda existem partidos social democratas no poder em várias nações do Ocidente, há muito tempo distanciou de seus laços históricos com Marx e suas ideias. Na atualidade em Laos, Vietname, Cuba, a República Popular da China e Moldávia tem no poder governos que se dizem marxistas. Países que vivem em extrema pobreza.

Diferenças com o anarquismo

Tanto as teses marxistas, como as anarquistas, compartilham do desejo de abolir o Estado, mas os meios para consegui-lo são diferentes. Nenhuma destas teorias tem sido a realização deste ideal porque é impraticável, se apenas o neoliberalismo se aproximou do desaparecimento do Estado ao concentrar o poder no mercado. Por esta razão as teorias marxistas acerca de seu desenvolvimento têm variado entre suas diferentes vertentes.

A diferença entre os marxistas e os anarquistas consiste no seguinte:

  1. Os marxistas, inclusive até propõem a destruição completa do Estado, não acreditam que ela possa ser realizada sem antes da destruição das classes pela obra da revolução socialista, como um resultado do advento do socialismo, que terminará com a extinção do Estado; os anarquistas querem a completa supressão do Estado de um dia para outro, sem compreender quais são as condições que, segundo os marxistas, a possibilitariam.
  2. Os marxistas proclamam a necessidade para o proletariado da apropriação do poder político, de destruir inteiramente a velha máquina estatal e substitui-la por uma nova, consistente na organização dos tralhadores armados, ao estilo da Comuna: os anarquistas, reclamando da destruição da máquina estatal, não sabem exatamente "com que coisa" será sustituida, pelo proletariado, nem "que uso" será este do poder revolucionário; chegam a repudiar qualquer uso do poder político por parte do proletariado revolucionário e rejeitam a ditadura revolucionária do mesmo.
  3. Os marxistas buscam preparar o proletariado para a revolução usando em seu benefício o Estado moderno, e os anarquistas rejeitam este método.

De acordo con esta tese, a destruição do Estado, como por sua vez a ditadura do proletariado, acontecerá como consequência natural, únicamente por meio dos desígnios das forças cegas da matéria.

Religião

O marxismo é oposto a todas as religiões, por que é uma dotrina fundamentalmente ateia. Marx escreveu a respeito que a religão é o ópio do povo. A fundamentação filosófica da rejeição da religião tem sido desenvolvida pelo materialismo dialético de autores como Engels e Lenin. Seu principal argumento consiste em considerar a religião como uma invenção da burguesia para controlar e manipular as classes baixas.

Em qualquer caso, tem havido diversos teóricos autodenominados marxistas que consideram que ser marxista e religioso é compatível. Dentre eles se pode notar o irlandês James Connolly e sobre todos os vários autores dentro da Teologia da Libertação como Camilo Torres Restrepo, apesar a condenação da carta encíclica Divini Redemptoris de Pio XI contra o marxismo.

Mas a crítica teórica fazia qualquer religião se baseia em que esta é concebida como o resultado da produção da superestrutura da sociedade, ou seja, da fabricação de fundamentos ideológicos que se fazem uma sociedade sobre seus próprios modos de produção econômicos. Assim, para o marxismo, a religião sempre é uma concepção de ideias políticas que tendem a reafirmar e sustentar a estrutura econômica existente.

Os textos marxistas onde se pode encontrar informação sobre a concepção marxista da religião são: A Ideologia Alemã de Karl Marx e Friedrich Engels e A Filosofia como arma da Revolução de Louis Althusser.

As raízes filosóficas do marxismo

Marx teve duas grandes influências filosóficas: a de Feuerbach, que lhe contribuiu e afirmou sua visão materialista da história, e sem dúvida, a de Hegel que inspirou Marx acerca da aplicação da dialética do materialismo. Apesar de sua tese de doutorado escolher a comparação de dois grandes filósofos materialistas da antiga Grécia, Demócrito e Epicuro, Marx já havia aprovado o método hegeliano, sua dialética. E em 1842 havia elaborado sua Crítica da Filosofia do Direito de Hegel desde um ponto de vista materialista.

Mas nos princípios da década de 40, outra grande influência filosófica fez efeito em Marx: Feuerbach. Especialmente com sua obra A Essência do Cristianismo. Tanto Marx como Engels abraçavam a crítica materialista de Feuerbach ao sistema hegeliano, ainda que com algumas reservas. Segundo Marx, o materialismo feuerbachiano era inconsequente em alguns aspectos, idealista. Foi nas Teses sobre Feuerbach (Marx, 1845) e A Ideologia Alemã (Marx y Engels, 1846) onde Marx e Engels ajustaram contas com suas influências filosóficas e estabeleceram as premissas para a concepção materialista da história.

Se o idealismo de Hegel a história viria a ser contraditório que refletiu o auto-desenvolvimento da Ideia Absoluta, em Marx são o desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção as que determinam o curso da história, a base do desenvolvimento político, cultural, ideológico. Para os idealistas a história era o desenvolvimento das ideias. Marx expõe a base material dessas ideias e encontra ali o fio condutor da evolução histórica. Marx resume a gênesis e sintetiza sua concepção materialista da história em Contribuição para a Crítica da Economia Política (1859):

O primeiro trabalho, empreendido para resolver as dúvidas que me assaltavam, foi uma revisão crítica da filosofia do direito que Hegel, um trabalho cuja introdução apareceu nos Deutsch-Französische Jahrbücher publicados em Paris em 1844. A minha investigação desembocou no resultado de que relações jurídicas, tal como formas de Estado, não podem ser compreendidas a partir de si mesmas nem a partir do chamado desenvolvimento geral do espírito humano, mas enraízam-se, isso sim, nas relações materiais da vida, cuja totalidade Hegel, na esteira dos ingleses e franceses do século XVIII, resume sob o nome de"sociedade civil", e de que a anatomia da sociedade civil se teria de procurar, porém, na economia política. A investigação desta última, que comecei em Paris, continuei em Bruxelas, para onde me mudara em consequência duma ordem de expulsão do Sr. Guizot. O resultado geral que se me ofereceu e, uma vez ganho, serviu de fio condutor aos meus estudos, pode ser formulado assim sucintamente: na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura económica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superstrutura jurídica e política, e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência. Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social. Com a transformação do fundamento económico revoluciona-se, mais devagar ou mais depressa, toda a imensa superstrutura. Na consideração de tais revolucionamentos tem de se distinguir sempre entre o revolucionamento material nas condições económicas da produção, o qual é constatável rigorosamente como nas ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em suma, ideológicas, em que os homens ganham consciência deste conflito e o resolvem. Do mesmo modo que não se julga o que um indivíduo é pelo que ele imagina de si próprio, tão-pouco se pode julgar uma tal época de revolucionamento a partir da sua consciência, mas se tem, isso sim, de explicar esta consciência a partir das contradições da vida material, do conflito existente entre forças produtivas e relações de produção sociais. Uma formação social nunca decai antes de estarem desenvolvidas todas as forças produtivas para as quais é suficientemente ampla, e nunca surgem relações de produção novas e superiores antes de as condições materiais de existência das mesmas terem sido chocadas no seio da própria sociedade velha. Por isso a humanidade coloca sempre a si mesma apenas as tarefas que pode resolver, pois que, a uma consideração mais rigorosa, se achará sempre que a própria tarefa só aparece onde já existem, ou pelo menos estão no processo de se formar, as condições materiais da sua resolução. Nas suas grandes linhas, os modos de produção asiático, antigo, feudal e, modernamente, o burguês podem ser designados como épocas progressivas da formação económica e social. As relações de produção burguesas são a última forma antagónica do processo social da produção, antagónica não no sentido de antagonismo individual, mas de um antagonismo que decorre das condições sociais da vida dos indivíduos; mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais para a resolução deste antagonismo. Com esta formação social encerra-se, por isso, a pré-história da sociedade humana.


Em seu trabalho político e jornalístico Marx e Engels compreenderam que o estudo da economia era vital para conhecer a evolução social. Foi Marx quem se dedicou principalmente ao estudo da economia política uma vez que se mudou para Londres. Marx se baseou nos economistas mais conhecidos de sua época, os británicos, para recuperar deles o que servia para explicar a realidade econômica e para superar críticamente seus erros.

Vale a pena mencionar que a economia política era então relações sociais e econômicas consideradas entrelaçadas. No século XX, a disciplina foi dividido em dois.

Marx seguiu principalmente Adam Smith e David Ricardo ao afirmar que a origem da riqueza era o trabajo e a origem da ganância capitalista era o trabalho excedente não remunerado aos trabalhadores em seus salários. Embora houvesse escrito alguns textos sobre economia política Trabalho Assalariado e Capital de 1849, Contribuição para a Crítica da Economia Política de 1859, Salário, Preço e Ganância de 1865) sua obra principal a respeito é O Capital.

O Capital ocupa três volumes, dos quais só o primeiro (cuja primeira edição é de 1867) estava terminado a morte de Marx. Neste primeiro volume, e particularmente seu primeiro capítulo (Transformação da mercadoria em dinheiro), se encontra o núcleo das análises marxistas do modo de produção capitalista. Marx começa desde a "célula" da economia moderna, a mercadoria. Começa por descrevê-la como unidade dialética de valor de uso e valor de mudança. A partir das análises do valor de mudança, Marx expõe sua teoria do valor, onde encontramos que o valor das mercadorias depende do tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-las. O valor de mudança, isto é, a proporção em que uma mercadoria é trocada com outra, não é mais que a forma em que aparece o valor das mercadorias, o tempo de trabalho humano abstrato que tem em comum. Logo Marx nos guia através das distintas formas de valor, desde a troca direta e ocasional até o comércio frequente de mercadorias e a determinação de uma mercadoria como equivalente de todas as demais (dinheiro).

Assim como um biólogo utiliza o microscópio para analizar um organismo, Marx utiliza a abstração para chegar a essência dos fenômenos e encontrar as leis fundamentais do seu movimento. Em seguida, refazer esse caminho, incorporando paulatinamente nova camada sobre nova cama de determinação concreta e projetando os efeitos dessa camada em uma tentativa de chegar, finalmente, a uma explicação integral das relações concretas da sociedade capitalista cotidiana. No estilo e a redação tem um peso extraordinário da herança de Hegel.

A crítica de Marx a Smith, Ricardo e o resto dos economistas burgueses reside em que suas análises econômicas é histórico (e por tanto, necessáriamente idealista), e que tomam a mercadoria, o dinheiro, o comércio e o capital como propriedades naturais inatas da sociedade humana, e não como relações sociais produtos de um evolução histórica e, por tanto, transitórias. Junto com a teoria do valor, a lei geral da acumulação capitalista, e a lei da baixa tendência da taxa de ganância, são outros elementos importantes da economia marxista.

Revoluções e governos inspirados no marxismo

A revolução de outubro de 1917, encabeçada pelos bolcheviques (cujas figuras principais eram Vladimir Lenin e León Trotsky) foi a primeira tentativa de grande escala de colocar em prática as ideias socialistas de um Estado trabalhador. A raíz da morte de Yosif Stalin se começou um processo de progressiva liberalização econômica, que teve sua culminação com a perestroika.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a ideologia marxista, com respaldo militar soviético, deu origem a partidos comunistas revolucionários en todo el mundo. Alguns destes partidos conseguiram tomar o poder e estabelecer segundo eles seu próprio Estado marxista. Estas nações compreendiam a República Popular da China, Vietname, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Polônia, Camboja, Etiópia, Iémen do Sul e outros.

Muitas destas nações que se proclamaram marxistas estavam muito influenciadas pelo leninismo, o que levou a alguns seguidores de Karl Marx os criticassem, por considerá-las ditatoriais, começando um debate entre defensores e detratores. Os seguidores das correntes dentro do marxismo que se opuseram a Stalin se agruparam principalmente em torno de Trotsky, tendem a localizar a insuficiência em termos de fracasso da revolução mundo; para o comunismo, o objetivo final do socialismo científico, para conseguir triunfar era preciso abranger todas as relações comerciais internacionais, de que o capitalismo tinha desenvolvido anteriormente.

Em 1991, a União Soviética se dissolveu e o novo Estado russo não se identificou com o marxismo. Outras nações do mundo seguiram o mesmo caminho. Atualmente o socialismo científico deixou de ser uma força política de destaque na política mundial.

Muitos governos, partidos políticos, movimentos sociais e teóricos acadêmicos tem afirmado fundamentar-se em princípios marxistas. Exemplos particularmente importantes são os movimentos social democratas da Europa do século XX, o bolchevismo russo, a União Soviética e outros países do bloco oriental como Vietname, China sob o governo de Mao Tse Tung, Cuba com Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, Santucho e outros revolucionários em países agrários em desenvolvimento. Estas lutas acrescentaram novas idéias de Marx e, de outra forma, tem transmutado tanto o marxismo que resulta no difícil de especificar o núcleo do mesmo. Atualmente, as mudanças sócio-econômicas tem obrigado a repensar o marxismo em uma linha chamada pós-marxismo em que os autores são Ernesto Laclau e Chantal Mouffe.

A crítica liberal

Os membros da escola austríaca foram os primeiros economistas liberais em criticar sistemáticamente a escola marxista. Isto foi, em parte, uma reação a Methodenstreit (controvérsia sobre a questão do método), quando atacaram as doutrinas hegelianas da escola histórica. Ainda que muitos autores marxistas tentaram apresentar a escola austríaca como reação burguesa a Marx, tal interpretação é insustentável: Carl Menger escreveu seus Princípios de Economia quase ao mesmo tempo que Marx completava O Capital. Os economistas austríacos foram, no entanto, os primeros que enfrentaram diretamente com o marxismo, já que ambos tratavam de assuntos como o dinheiro, o capital, os ciclos econômicos e os processos econômicos. Eugen von Böhm-Bawerk escreveu críticas extensas de Marx nos anos 1880 e 1890, e vários marxistas proeminentes (como Rudolf Hilferding) assistiram a seu seminário em 1905-1906.

Posteriormente existiu um debate entre Ludwig von Mises (discípulo de Böhm-Bawerk), que considerava que o socialismo era impossível para não existir um mercado e uma toda poderosa Mão Invisível que determinasse os preços, e Oskar Lange, que defendia uma economía socialista com um mercado estatal na qual os preços fossem determinados segundo um método de tentativa e erro para descobrir um preço adequado. A crítica de Mises ao marxismo se extendeu a metodologia de interpretação histórica com sua crítica ao polilogismo classista. O debate entre ambos economistas continuou durante vários anos, até que Oskar Lange afirmou que Von Mises tinha razão. No entanto, anos depois voltou a modificar seu ponto de vista, e defendeu a economia soviética assimilando a contribuição de Von Mises para a análise da ação humana: a praxeologia. A resposta austríaca aos argumentos de Oskar Lange foi complementada com a análise de Friedrich Hayek.

Diversos autores marxistas tem oferecido nos anos posteriores respostas aos argumentos liberais. Enquanto que alguns defendem modelos de socialismo de mercado mais refinados que o de Oskar Lange (por exemplo, David Schweickart), outros consideram que seja possível estabelecer uma economia socialista de mercado. Neste último grupo se pode diferenciar entre os que argumentam que o método de cálculo no socialismo deve realizar-se segundo a teoria do valor do trabalho e os que argumentam que o valor do trabalho só existe nas sociedades capitalistas. Atualmente a crítica mais refinada da escola austríaca ao socialismo em todas as suas variantes tem sido realizada por Jesús Huerta de Soto em seu livro Socialismo, cálculo econômico e função empresarial.

Também existe um grupo de socialistas que tem dado seu apoio ao libre mercado entre produtores. Propondo um socialismo sem planificação coletivista mediante a combinação de individualismo e supressão da propriedade privada lockeana. Seus representantes, vários precursores ou representantes do mutualismo, são Thomas Hodgskin, Pierre-Joseph Proudhon, Benjamin Tucker, Silvio Gesell, Franz Oppenheimer, y Kevin Carson.

Referências

  1. www.noticias.terra.com.br - Site estima que comunismo matou mais de 100 milhões no mundo.
  2. Anthony Sutton, Wall Street e os Bolcheviques
  3. O conceito da natureza em Marx, Schmidt, 1997.

Pensadores marxistas

Ligações externas

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