Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)

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A Guerra dos Trinta Anos é a denominação de uma série de guerras europeias entre 1618 e 1648. O desenrolar dos conflitos ocorreu mormente em territórios da Alemanha, país que assim sofreu em especial as consequências desastrosas das guerras cujo caráter, inicialmente religioso, desenvolveu-se de forma a envolver questões também geo-políticas de quase toda Europa Ocidental. A animosidade entre o catolicismo e o protestantismo foram causas importantes, mas também a posição do principado alemão (Fürsten) contra o poder imperial (Kaisermacht), as suspeições da França contra a Casa de Habsburg, além do enfraquecimento do Reino alemão (Deutsche Reich) frente aos Estados circunvizinhos foram fatores importantes no desencadeamento daquilo que foi uma guerra de aniquilamento da Alemanha, o Poder Central da Europa.

Índice

Os Conflitos

A Guerra dos Trinta anos divide-se em quatro fases:

Guerra da Boêmia-Palatinado (Böhmischer-Pfälzischer Krieg) - 1618 a 1623
Tensões religiosas agravaram-se na Alemanha durante o domínio do Kaiser Rudolf II (1576-1612) da Casa de Habsburg. Cerceou-se a liberdade religiosa dos protestantes. Em várias partes da Alemanha ocorreu a destruição de igrejas protestantes. Formou-se em 1608 a aliança protestante Union, em defesa de principados e cidades protestantes alemãs. Sua contrapartida, a aliança católica Liga foi formada em 1609, e uma solução pacífica tornava-se improvável. Ferdinand II, desde 1617 Rei da Boêmia, intensificou o contra-reforma, o que levou à defenestração de dois funcionários reais por um grupo de protestantes no Castelo de Praga (Prager Burg). Este acontecimento marcou o inicio do levante protestante na Boêmia contra a casa de Habsburg, levante que se transformaria em conflito a envolver toda a Europa. Nesta primeira fase, ao final de várias batalhas entre as partes, o Kaiser logrou conquistar uma supremacia temporária sobre os protestantes.
Guerra da Dinamarca-Baixa-Saxônia (Dänisch-Niedersächsischer Krieg) - 1623-1629
Após as vitórias da primeira fase da guerra, a Liga prosseguiu nas medidas contra-reformistas, fazendo com que os Estados do norte da Alemanha procurassem apoio externo. Iniciou-se assim a segunda fase da guerra dos trinta anos. Diversas nações, sobretudo França e Inglaterra imiscuíram-se no conflito visando confrontar o poderio da casa de Habsburg. Também Christian IV o rei da Dinamarca e Noruega, prestou auxilio aos protestantes alemães, na intenção de realizar suas ambições territoriais ao norte da Alemanha. Após reveses militares porém, Christian VI foi obrigado em 22 de maio de 1629, a assinar a paz de Lübeck , retirando-se assim a Dinamarca da guerra. As vitórias imperiais levaram Ferdinand II a incrementar a contra-reforma, embora o crescente poderio e as tendências absolutistas do Kaiser provocassem reações tanto internas como no exterior.
Guerra da Suécia (Schwedischer Krieg) - 1630-1635
Os sucessos do Kaiser Ferdinand II intensificaram a adversidade da França contra a casa de Habsburg. Havendo o interesse da Suécia na expansão de sua hegemonia em torno do mar Báltico, o cardeal Richelieu da França promoveu entendimentos com o Rei sueco Gustav II Adolf , desencadeando a interferência da Suécia no conflito, o qual se estendeu até 30 de maio de 1635 quando foi firmada a paz de Praga (Frieden von Prag). A paz de Praga encerrou a terceira fase da guerra dos trinta anos, porém não logrou a conquista de uma paz duradoura.
Guerra da França-Suécia (Französischer-Schwedischer Krieg) - 1635-1648
Na sua ultima fase a guerra transformou-se em conflito entre a casa de Habsburg e a França. Questões religiosas já não apresentavam relevância nesta fase, que se iniciou em 1635 com a declaração de guerra da França contra a Espanha. Em 18 de setembro de 1635 ocorreu a declaração de guerra da França também contra o Kaiser. No decorrer das batalhas as forças imperais sofreram seguidos reveses, fazendo-as recuar gradativamente. As guerras estenderam-se até 1948, quando as perdas militares do Kaiser o obrigaram a aceitar as condições para um acordo de paz que, negociado desde 1945, foi finalmente imposto pelos adversários em 1648, e se tornou conhecido como a paz de Westfalen (Wesfälischer Frieden).

As perdas humanas

As perdas humanas na Alemanha foram imensas. Na média 30 porcento da população foi dizimada. Em algumas regiões este percentual chegou a 90 porcento.

De acordo com diversas fontes, as estimativas divergem entre um redução da população alemã de 16 para 10 milhões de habitantes, ou de 18 para 5 milhões de habitantes:[1]

  • No ducado (Herzogtum) Württemberg, as estimativas indicam que de 400.000 habitantes em 1618, houve uma redução para apenas 50.000 em 1648.
  • No condado (Grafschaft) Henneberg ocorreu uma redução de 60.000 para 16.000 habitantes.
  • Em Frankenthal (Palatinado), de 18.000 habitantes, restaram apenas 324 pessoas.
  • Em Löwenberg am Bober (Silésia), de 6.500 habitantes, sobraram 40 pessoas. Somente no século XX, a cidade recuperou seu número de habitantes de 1618.

A paz da Westfalia e suas consequências

A Paz da Westfália, após anos de negociações, foi finalizada pelo Imperador alemão (Kaiser) com os príncipes (Fürsten) protestantes e os suecos em Osnabrück, e com a França em Münster.

Esta paz selou a falência política da Alemanha por séculos. Da outrora importante Alemanha restou apenas sombra da sua antiga influência na Europa. Todos príncipes tornaram-se independentes, e podiam então conduzir guerras e declarar as pazes ou formar acordos com quem quisessem, a seu bel-prazer. O imperador perdeu sua influência e poder no multipardidário Reichstag, do qual participavam também os representantes da França, Suécia e Dinamarca.

O Sonho de um Reino Unido Alemão tinha acabado. A Alemanha se tornara um emaranhado de 240 regiões independentes, os quais, sem poder central e sem capacidade de preservar qualquer soberania, sofriam todo tipo de ingerência das Nações vizinhas.

Numerosos e vastos territórias alemães foram anexados. Os maiores proveitos foram tirados pela França, Inglaterra e Suécia. A França ultrapassou o Rio Reno e anexou territórios alemães da outra margem. A Suécia tomou as regiões da foz dos rios alemães Weser, Elbe e Oder. Assim o Reino Alemão perdeu a nascente e a foz do rio Reno. Perdeu também o acesso ao oceano.

Dos 5 ou 10 milhões de sobreviventes alemães, a maioria sobrevivia em condições de miséria. O orgulho nacional do povo alemão tinha se esfacelado. Costumes, vestimentas e idiomas estrangeiros se impuseram. Membros do principado e nobres em geral davam o mau exemplo.

A paz religiosa foi estabelecida, porém a divisão entre as religiões permaneceu, sem que qualquer delas houvesse obtido vantagens expressivas. A paz tinha custado caro: O Reino esfacelado, presença estrangeira maciça, perda da soberania nacional, extensa perda de territórios e de terra produtiva, e povo dividido.

Citação

"Não tivéssemos nos consumido com desavenças na incerteza de nos comungar com Deus em uma ou em duas configurações, a Inglaterra nunca teria tido a possibilidade de tomar a palavra na questão da distribuição do poder no continente" . ( „Hätten wir uns nicht verzehrt im Streit darum, ob man den lieben Gott in einerlei oder zweierlei Gestalt zu sich zu nehmen hat, so wäre England nie dazu gekommen, in der Frage der Verteilung der Macht auf dem Kontinent das Wort zu nehmen.“ ) - Adolf Hitler[2]

Referências

(Literatura em alemão)

(Internet em alemão)

Notas de rodapé

(em alemão)

  1. Der Dreißigjährige Krieg 1618–1648, Perdas Humanas
  2. Em: Monologe im Führerhauptquartier - die Aufzeichnungen Heinrich Heims, editado por Werner Jochmann, Wilhelm Heyne Verlag, München 1980, ISBN 3-453-01600-9 (Anotação de 9./10.10.1941, página 76)
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