Acção Integralista Brasileira

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Integralismo.

A Acção Integralista Brasileira (AIB) foi um partido político brasileiro, fundado em 7 de outubro de 1932, por Plínio Salgado, escritor modernista, jornalista e político. Tão logo o partido iniciou suas atividades, começaram a haver conflitos com grupos rivais, assim como com a polícia, devido às conjunturas de cada localidade do País.

O Integralismo brasileiro é considerado o primeiro e o maior movimento de massa da História do Brasil. Os integralistas também ficaram conhecidos como camisas-verdes, devido aos uniformes que utilizavam.

A AIB, assim como todos os outros partidos políticos, foi ilegitimamente extinta após a instauração do Estado Novo, efetivado em 10 de novembro de 1937 pelo então presidente Getúlio Vargas.

Índice

Historial

Revista Anauê.

Os principais intelectuais que deram corpo ao movimento integralista brasileiro foram Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale. Plínio Salgado sistematizou a teoria do Estado Integral, e criou os uniformes, símbolos, costumes, hábitos e rituais dos participantes do movimento integralista, e criou o partido em 7 de outubro de 1932. O integralismo foi um movimento muito importante na conjuntura não só da década de 1930, mas influenciaria muitos políticos e intelectuais com atuação posterior a esse período.

Dentre os inúmeros intelectuais de destaque que pertenceram à AIB, pode-se citar, além de Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Miguel Reale, Tasso da Silveira, San Tiago Dantas, Olbiano de Melo, Câmara Cascudo, Gofredo e Inácio da Silva Teles, Raimundo Padilha, Alfredo Buzaid, Madeira de Freitas, Augusto Frederico Schmidt, Gerardo Melo Mourão, Dantas Mota, Vinícius de Morais, Paulo Fleming, Adonias Filho, Dom Hélder Câmara, Ribeiro Couto, Herbert Parentes Fortes, José Loureiro Júnior, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Ernâni Silva Bruno, Antônio Gallotti, Jorge Lacerda, Thiers Martins Moreira, José Lins do Rego, Alcebíades Delamare, Roland Corbisier, Álvaro Lins, Seabra Fagundes, Rui de Arruda Camargo, Raimundo Barbosa Lima, João Carlos Fairbanks e Mário Graciotti.

O presidente Getúlio Vargas combateu a organização do movimento integralista desde seu início. O aparecimento do chamado "Plano Cohen", forneceu a justificativa para a tentativa bem-sucedida de Vargas de dar o golpe de Estado e manter-se no poder, dando então início ao Estado Novo.

Vargas tentou cooptar o Integralismo, mas, Plínio Salgado e a cúpula Integralista entendiam que a Constituição que seria outorgada ao País era de cunho totalitário e, portanto, incompatível com a Doutrina Integralista, essencialmente democrática e pluralista. Assim, em 10 de Novembro de 1937 foi implantado o Estado Novo, e o Integralismo dele não participava. Em 03 de Dezembro de 1937, todos os Partidos Políticos foram proibidos.

Levante Integralista

Devido à dissolução da AIB e dos demais Partidos Políticos, com a instauração do Estado Novo, os Integralistas, reunidos as demais correntes democráticas do País, insurgiram-se, tentando dar um golpe de estado em 1938, que visava o restabelecimento do Estado de Direito, com a restauração da Constituição de 1934, a Anistia aos presos políticos, a convocação de novas eleições, etc.

O Ten. Júlio Barbosa do Nascimento, liderando os integralistas, atacou, em 11 de maio de 1938, o Palácio Guanabara. Eram 80 ao todo, dentre eles um membro da família imperial brasileira. Em resposta, muitos foram fuzilados, outros tantos feridos. Cerca de 1500 integralistas acabaram presos e ficaram sob a responsabilidade de Filinto Müller para interrogá-los. Plínio Salgado, ao final, foi exilado em Portugal.

O ocorrido ficou conhecido como Levante Integralista.

Símbolos, vestimentas, rituais e iconografia

A atitude dos integralistas Brasileiros em público chamava a atenção, pela simbologia e iconografia adotada. Os integralistas se apresentavam, oficialmente, uniformizados. As camisas e bonés eram verde-inglês, as calças eram pretas ou brancas e as gravatas pretas.

Cumprimentavam-se utilizando a palavra que se presume vir do tupi, "anauê", que significaria "você é meu irmão", com o braço esticado e mão espalmada. Este cumprimento é feito pelos integralistas até hoje, e o seu significado, cristalizado nesse que os camisas-verdes atribuiram a ele.

A bandeira do movimento é composta por um fundo azul com um círculo branco no centro, e no meio do círculo, a letra grega maíuscula sigma, significando a soma dos valores. Cada sub-divisão do movimento contava com símbolos próprios, como por exemplo, os plinianos (os grupos de juventude), cuja bandeira era similar à oficial, porém, com um cruzeiro do sul atrás do sigma.

Havendo uma parada militar, os participantes do movimento marchavam como soldados. Em seus encontros e concentrações, os integralistas recebiam treinamento e instrução de ordem unida, além de executar diferentes rituais.

Alinhamento ideológico

O Integralismo brasileiro não aceita o capitalismo, defende a propriedade privada, o resgate da cultura nacional, a moral, valoriza o nacionalismo, a prática cristã, o princípio da autoridade, o combate ao comunismo e ao liberalismo econômico.

Plínio Salgado destaca a importância de realizar a verdadeira revolução brasileira, como o afirma em seu livro A quarta humanidade. Salgado afirma que o passado colonial é a fonte da "verdadeira brasilidade", dado o estado de "abandono" que Portugal relegou ao Brasil; foi nesse abandono que nasceu uma nacionalidade espontânea, que seria corroída pelos estrangeirismos após a independência, e que o integralismo pretende resgatar.

Seu projeto político propunha unificar as inúmeras visões fragmentadas do ser humano e da sociedade, ora analisados apenas pelos seus aspectos econômicos, ora pelos aspectos sociais, ora políticos, ora espirituais. A nação integralista se organizaria dentro de uma hierarquia de valores, na qual sobrepunha-se "o espiritual sobre o moral, o moral sobre o social, o social sobre o nacional e o nacional sobre o particular".

O Integralismo brasileiro congregou uma grande diversidade de cidadãos brasileiros segundo as mais diferentes etnias. No sul do país, por exemplo, houve uma participação maciça de imigrantes europeus e seus filhos. Afro-descendentes também aderiram ao movimento, e o exemplo até hoje lembrado é o de João Cândido, líder da Revolta da Chibata. Outros negros famosos que pertenceram à AIB são Abdias do Nascimento, Sebastião Rodrigues Alves e Ironides Rodrigues. A AIB foi o primeiro movimento político brasileiro a dar voz política à mulher.

Actualmente

Atualmente a Frente Integralista Brasileira (cujo líder colaborou com a publicação virtual portuguesa ECONAC) é a principal organização a representar o integralismo no Brasil. Segundo afirmam os seus membros, defendem "o combate ao materialismo oriundo, tanto do capitalismo, assim como do comunismo, além da necessidade de uma reforma espiritual do homem brasileiro".

Afirmam ainda os integralistas que comunismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda, moeda esta pertencente ao grande capital internacional. A doutrina integralista baseia-se na tríade "Deus, Pátria e Família".

Também os Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro - NIERJ - têm desempenhado um papel importantíssimo na atual fase do Integralismo.

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