Hans Staden

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Hans Staden
Primeira representação cartográfica da Baía de Paranaguá
Canibalismo relatado por Hans Staden
Execução de um preso testemunhada por Hans Staden

Hans Staden (* 1525 em Homberg (Efze) na Alemanha; † 30 de julho de 1576 em Wolfhagen), participou de duas expedições ao Brasil como artilheiro (arcabuzeiro), a primeira em navio português e a segunda em navio espanhol. Viveu numerosas aventuras e vicissitudes, entre elas a convivência por nove meses e meio com os indios antropófagos tupinambás, na condição de prisioneiros destinado a ser devorado. Destas suas experiências resultou o seu relato etnográfico do continente sul-americano recém descoberto pelos europeus. A sua narrativa é uma das mais importantes obras sobre o início da historia brasileira e divide-se em duas partes: A primeira com o título “As viagens” descrevendo suas aventuras entre os indígenas, e a segunda com o título “A Terra e seus habitantes”, um relatório sobre a vida e costumes dos Tupinambás, dos quais foi prisioneiro. O seu livro, publicado em Marburgo no ano de 1557, ricamente ilustrado com xilogravuras recebeu mais de cinqüenta edições, em alemão, flamengo, holandês, latim, francês e português. A primeiro edição brasileira ocorreu em 1892, na Revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro .[1]

A primeira viagem

Em inicio de 1548, Hans Staden participou de uma expedição colonizadora portuguesa ao Brasil. Partiu de Bremen para Portugal, onde embarcou rumo ao Brasil. Aportou na capitania hereditária de Pernambuco em 28 de janeiro de 1548. Objetivos da expedição portuguesa eram a exploração do Pau-Brasil, o combate aos franceses, aos indígenas revoltosos e a remessa de degredados portugueses ao Brasil. Staden lutou ao lado dos portugueses contra indígenas e franceses e retornou à Europa no mesmo ano.

A segunda viagem

Em 1549, Hans Staden embarcou em Sevilha na Espanha, rumo ao Rio de la Plata. O navio naufragou em 1550 no litoral do Estado brasileiro de Santa Catarina. O náufragos alcançaram terra firme e após dois anos de espera, decidiram rumar para Assunção. Parte da tripulação foi por terra e a outra embarcou em pequeno barco e rumaram para São Vicente, de onde embarcariam para Assunção. Na altura de Itanhaém sofreram novo naufrágio, conseguindo se salvar a nado. Assim foram a pé pela costa até São Vicente. Em Bertioga, próximo a São Vicente, os portugueses haviam levantado um forte na ilha de Santo Amaro e tendo tomado conhecimento de sua qualificação como artilheiro, convenceram Hans Staden a assumir a responsabilidade de manter a guarda e vigília no forte durante quatro meses. Ao final deste período foi solicitado a permanecer por mais um período. Assim, combinaram sua permanência por mais dois anos. Nomearam-no para condestável em abril de 1553.[2]

A captura de Hans Staden pelos Tupinambás

Conforme relato do cacique Ipirú-guaçú ao prisioneiro Hans Staden; os tupinambás tinham certa vez sido traídos quando subiram a bordo de um navio portugues para comerciarem. Os portugueses os "assaltaram, amarraram, conduziram e entregaram aos tupiniquins, pelos quais foram então mortos e devorados" [3] Como Hans Staden estava a serviço no forte de Bertioga, os Tupinambás tomaram-no por português, tendo sido este o motivo de sua captura O aprisionamento de Hans Staden pelos índios Tupinambás ocorreu em janeiro de 1554. Tendo-se afastado do forte para recolher caça providenciada por um índio carijó que lhe servia, foi tocaiado na floresta, aprisionado e transportado por vários dias em pirogas pelo mar até suas aldeias em Ubatuba.

A convivência com os Tupinambás

Característica da personalidade de Hans Staden foi a serenidade para, mesmo ameaçado continuamente a se tornar vitima de canibalismo, observar e posteriormente evocar e registrar detalhadamente informações valiosas numa obra que se tornou a fonte etnografica mais autorizada sobre o país e seus habitantes.

Empenhou-se durante toda sua estada entre os indígenas a convence-los que não era português e sim alemão. Como os Tupinambás eram amigos dos franceses, procurou mostrar-lhes que estes também eram seus amigos. Dada sua religiosidade, Hans Staden suplicava a proteção divina, o que chamava a atenção dos índios e os induziu a exigir-lhe que rogasse proteção em situações de perigo, ou a prever o desfecho de algumas investidas. Tanto a dúvida referente à sua nacionalidade quanto a crença nos poderes de suas orações fez com que a sua morte fosse pouco a pouco postergada. Após a Segunda Guerra Mundial surgiu no Brasil uma interpretação antropológica moderna dos motivos pelos quais os índios teriam poupado Staden: Seria a covardia do prisioneiro que os teria feito desistir de devorá-lo. Esta interpretação revela-se equivocada ao confrontada com a iniciativa aventureira de Staden em participar de duas expedições ao Novo Mundo, com a sua atividade de artilheiro, com a sua participação em lutas no Brasil e com o fato de ter sido o único (devido ao perigo desta função) a assumir a vigília do forte de Bertioga. A tentativa de distorcer a narrativa e pregar-lhe a pecha de covarde constitui-se estratégia ideológica de esquerda muitas vezes aliada ao sionismo, comum no pós-guerra, com o objetivo de macular a imagem da nação que teve papel de destaque no combate ao comunismo na história recente.

As tentativas de resgate

Durante sua permanência entre os nativos ocorreram várias tentativas de livrar-se do cativeiro. A primeira tentativa ocorreu ainda durante a volta dos Tupinambás à sua aldeia. O rapto tinha sido percebido e Tupiniquins e portugueses partiram em perseguição, chegando à praia quando os Tupinambás mal tinham se afastado por apenas “dois tiros de arcabuz’ em suas pirogas. Iniciou-se uma escaramuça da qual os Tupinambás escaparam com apenas alguns feridos.

A segunda tentativa ocorreu quando um francês que vivia nas proximidades, veio à aldeia para verificar a pedido dos índios, se o capturado era também francês. Verificando que não o era, orientou os índios a devorá-lo, não obstante os pedidos de Staden para empenhar-se na sua soltura. Este francês retornou posteriormente à aldeia, e nesta ocasião, Staden já com mais liberdade de movimentação dentro da aldeia conseguiu esclarecer-lhe que não era português e sim alemão. O francês retificou sua primeira declaração sobre o preso, afirmando que fazia parte dos franceses. Porém a esta altura os índios só concordaram em solta-lo em troca de um navio cheio de mercadorias. Prometeu-se aos índios o envio deste navio na primeira oportunidade, até o que Staden permaneceria entre eles.

Outra possibilidade de escape ocorreu quando os Tupiniquins realizaram uma expedição guerreira contra os Tupinambás. Chegando em 25 canoas, atacaram as aldeias dos Tupinambás, que porém se defenderam de tal modo que o ataque foi abortado, frustrando as esperanças de liberdade de Staden.

Os portugueses posteriormente enviaram um navio para averiguar a situação de Staden. Ancoraram próximo à aldeia e perguntaram pelo prisioneiro. Receberam respostas incertas pelas quais poderiam deduzir a morte de Staden e retiraram-se em seguida.

No quinto mês do cativeiro chegou um navio da ilha de São Vicente para negociar a soltura de Staden, porém não o conseguiram. Posteriormente ainda chegou um navio francês para comerciar algodão e pau brasil, mas não levaram Staden consigo para não prejudicar o relacionamento e o comercio com os índios.

O resgate

Após os meses de convívio com os indígenas, Staden tinha deixado de ser o preso a ser devorado. Os índigenas convenceram-se de que não era português. Passaram a crer na possibilidade de ser francês. Atribuíam-lhe, devido a sua religiosidade, o poder do contato com sua divindade, o que lhes parecia conveniente para extrair proveito. Passou a ser útil para os indígenas e nas diversas tentativas dos brancos em resgatá-lo atribuíram-lhe alto valor de troca.

O resgate ocorreu quando atracou a nau francêsa Catherine de Vetteville, cujo capitão, disposto a libertar Staden o acolheu em seu navio. Embora o valor do resgate (alguns objetos no valor de "cinco ducados") não era o exigido pelos indígenas, tiveram que aceitar a liberação de Staden, por se encontrarem a bordo do navio em inferioridade numérica.

Por fim, nove meses e meio após o início de sua aventura entre os indígenas, zarpou do Rio de Janeiro em 31 de outubro de 1554 rumo à Europa, e por volta de vinte de fevereiro de 1555 chegou à Honfleur na França. Declinando ainda de um convite do capitão do navio para participar de mais uma viagem em seu navio, zarpou para Dieppe.

Notas de rodapé

  1. Hans Staden – Duas Viagens ao Brasil; Livraria Itatiaia Editora Ltda-Belo Horizonte, MG – 1974-S775d (Prefácio)
  2. Hans Staden – Duas Viagens ao Brasil; Livraria Itatiaia Editora Ltda-Belo Horizonte, MG – 1974-S775d ( pág 76)
  3. Hans Staden – Duas Viagens ao Brasil; Livraria Itatiaia Editora Ltda-Belo Horizonte, MG – 1974-S775d ( pág 93)

Referências

Literatura em português

Literatura em alemão

  • Karl August Klüpfel: N. Federmanns und H. Stades Reisen in Südamerica, 1529 bis 1555 (1859) (PDF)
  • Theodor de Bry: Dritte Buch Americæ darinn Brasilia durch Johann Staden ... auss eigener Erfahrung in teutsch beschrieben : item Historia der Schiffart Ioannis Lerij in Brasilien, welche er selbst publiciert hat, jetzt von Newem verteutscht, durch Teucrium Annæum Priuatum, C. [i. e. J.A. Lonicer] : vom Wilden unerhörten Wesen der Innwoner von allerley frembden Gethieren vnd Gewächsen, sampt einem Colloquio, in der wilden Sprach (1593) (PDF)
  • Johann Just Winckemann: Warhaftige Historia und Beschreibung eyner Landtschafft der wilden, nacketen, grimmigen Menschfresser Leuthen in der Newenwelt America gelegen, 1664 (PDF)